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Confidências de um ex-agiota

10/10/2000 - Operacional
Confidências de um ex-agiota

O ano era 1995, com o conhecimento do mercado financeiro adquirido no Banco do Brasil e o dinheiro da saída, cerca de R$ 150 mil, Pedro*, hoje com 52 anos, começou a emprestar dinheiro a juros. Ou seja, entrou para o mercado informal do Fomento Mercantil, conhecido como agiotagem. A nova atividade, praticada paralelamente à venda de seguros de automóvel, perdurou por três anos. Em 1998, Pedro desistiu. “Me arrombaram, então decidi parar”, declara. Segundo ele, não porque o mercado não seja lucrativo, mas por conta de sua ingenuidade. Aqui, ele nos conta o passo-a-passo da sua experiência:


Os erros
“Minha burrice foi ter emprestado dinheiro para pessoas conhecidas. Emprestava para amigos e parentes e por conta dos laços, eles começaram a deixar de me pagar. Outro equívoco foi ter aceito cheque da própria pessoa. Se ela estava recorrendo a mim, era porque não tinham dinheiro”.


Justiça
“Como a maioria dos meus credores eram conhecidos, nunca quis recorrer à justiça. Teve apenas um caso em que eu tinha uma garantia real, um apartamento, e fui adiante. Faz seis anos e está em juízo. É muito difícil contar com a justiça. Até pelo preconceito que há com o agiota. O próprio termo é usado de forma pejorativa. Claro que tem muito ‘bandido’ nesse mercado, que se aproveita da situação e cobra juros altos. Mas outros não. Eu cobria o furo dos clientes com o cheque especial e cobria menos que os bancos, em torno de 4%. Era um negócio bom para o cliente e para mim”.


As factorings
“Existe dois lados no caso da atividade de factoring. Muitas delas não fomentam as empresas contratantes. Ficam administrando até conseguir rever o empréstimo e então caem fora. Estes são os maus empresários. Mas existem aquelas que salvam mesmo uma empresa. De qualquer forma, uma factoring é sempre um bom negócio, dá dinheiro, basta profissionalizar. As factorings são amparadas, têm garantia real e sempre conseguem cobrar, os agiotas não. A verdade é que todo empresário de factoring começou como agiota, na informalidade. Tenho colegas que saíram do Banco do Brasil comigo, emprestaram dinheiro clandestinamente e hoje estão ganhando muito dinheiro com factoring registrada e fazendo campanha contra os agiotas”.


Perdas e ganhos
“No fim das contas não cheguei a perder dinheiro. Acho que empatei. Comprei um sítio e um automóvel. Comecei como muitos empresários que hoje são respeitados no mercado de fomento mercantil: agiotando. A diferença entre nós é que eles seguiram no mercado, legalizaram-se e estão andando de carro do ano, ganhando muito dinheiro”.


O futuro
“Ainda estou recebendo dinheiro de alguns devedores. Por ser muito conhecido, algumas pessoas ainda me ligam pedindo empréstimo, mas eu saí desse mercado. Só voltaria se fosse com uma empresa de factoring registrada, com todas as garantias. Ah, e sendo anônimo para fugir dos amigos e parentes”.


• Nome fictício. A pedido do entrevistado seu nome foi omitido.

Fonte: Isabel Cristina Feijó - belfeijo@terra.com.br - Esta matéria foi publicada na Revista do Factoring

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